Redação
O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kássio Nunes Marques, anunciou na noite deste domingo (4) que a Justiça Eleitoral pretende adotar um novo mecanismo para ampliar a transparência das pesquisas eleitorais. A proposta é facilitar a compreensão dos eleitores sobre como os levantamentos são realizados.
O anúncio ocorreu na sede do TSE, após a apuração do primeiro turno das eleições, que definiu Flávio Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva como candidatos ao segundo turno. Flávio terminou a primeira etapa com mais votos que Lula, resultado que contrariou a maioria das pesquisas divulgadas nas semanas anteriores.
Segundo Kássio, os institutos que realizarem pesquisas deverão preencher um formulário de aproximadamente duas páginas, com informações consideradas relevantes para o eleitor. Entre os dados previstos estão a data de criação da empresa e desde quando ela possui registro no TSE.
“O consenso que tivemos (TSE e institutos de pesquisa) é que a prioridade para o momento era dar mais transparência aos registros e tentar uma forma de colocar uma parte mais didática neste registro”, afirmou o ministro.
Kássio explicou que os registros atuais podem ser extensos e de difícil compreensão para o cidadão comum. A proposta é colocar as principais informações logo nas primeiras páginas, permitindo que quem tiver interesse possa consultar posteriormente o conteúdo completo.
O presidente do TSE também foi questionado sobre a possibilidade de criação de um selo de acurácia para reconhecer institutos que apresentassem maior precisão nas pesquisas eleitorais.
Segundo Kássio, a ideia foi discutida com as empresas de pesquisa, mas as manifestações recebidas foram consideradas antes de qualquer decisão.
“A ideia foi lançada dentro de uma reunião com as empresas de pesquisa em que o objetivo principal era criarmos naquele momento uma maior transparência neste procedimento”, explicou.
Durante o balanço do primeiro turno, o ministro afirmou que não foi identificada interferência estrangeira no processo eleitoral brasileiro.
Até o momento, foram registrados 907 crimes eleitorais em todo o país, além da apreensão de R$ 626 mil.
Os crimes mais frequentes foram boca de urna, com 311 ocorrências, e propaganda irregular, com 272 registros.
Mais de 321 mil agentes das forças de segurança pública foram mobilizados durante a votação, sendo aproximadamente 305 mil integrantes das forças estaduais.
Kássio também demonstrou preocupação com as condições climáticas para o segundo turno, especialmente diante dos efeitos associados ao El Niño.
O TSE montou uma sala de monitoramento climático com profissionais de diferentes setores e órgãos públicos para acompanhar possíveis impactos sobre a votação.
Segundo o ministro, a região Norte enfrenta uma seca acentuada, mas os Tribunais Regionais Eleitorais (TREs) realizaram planejamento para garantir o deslocamento das urnas para os locais de votação.
No Sul do país, houve registro de chuvas fortes, ventos e interrupções no fornecimento de energia. No Paraná, por exemplo, dezenas de municípios estavam sem energia no início da votação devido a problemas em linhas de transmissão.
De acordo com Kássio, as urnas eletrônicas estavam preparadas para funcionar com baterias, o que garantiu a continuidade da votação e evitou prejuízos ao processo eleitoral.
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